Os novos gestores municipais participaram, entre os dias 11 e 13 de fevereiro, do Encontro dos Novos Prefeitos e Prefeitas, em Brasília. O encontro teve como objetivo aproximar as prefeituras dos programas do Governo Federal e fortalecer o pacto federativo. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) marcou presença no evento e foi responsável por duas oficinas.
Ainda que não tenha políticas públicas que sejam implementadas diretamente por meio das prefeituras, o MCTI conta com 28 unidades vinculadas espalhadas pelo país, entre unidades de pesquisa, organizações sociais, empresas públicas, autarquias e agência, que desenvolvem diferentes iniciativas que beneficiam as cidades.
Jardins Filtrantes
Entre elas há o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), que desenvolve o programa Jardins Filtrantes, no Recife (PE). Nele, foram utilizadas 7.500 mudas de macrófitas aquáticas no Parque do Caiara para tratar 350 mil litros de água por dia na foz do Riacho Cavouco e melhorando a qualidade da água do Rio Capibaribe.
Segundo o Centro, entre os benefícios do jardim está a gestão sustentável da água, biodiversidade urbana, requalificação social, educação ambiental e promoção de políticas públicas voltadas à sustentabilidade.
Ainda assim, o programa enfrenta um desafio, já que os modelos utilizados ainda não são capazes de remover microplástico da água. “Na análise, nós identificamos que os microplásticos permaneciam, mesmo com a filtragem da água. Então, a nossa ideia é adicionar mais uma etapa de filtragem, que seria colocado após todo o processo tradicional dos jardins”, explica a pesquisadora do centro e coordenadora do Laboratório de Pesquisa Aplicada em Biomas, Laureen Houllou.
“Com base nessa definição, serão realizados os cálculos para dimensionamento do filtro, incluindo parâmetros como vazão, área filtrante e taxa de retenção. O objetivo inicial é atingir uma taxa mínima de remoção de 80% dos microplásticos presentes no efluente tratado”, complementa o também pesquisador do CETENE, Erik Bussmeyer.
Agora, segundo o Centro, o objetivo é expandir a tecnologia dos Jardins Filtrantes para outras cidades. Porém, também existem desafios relacionados a necessidade de áreas adequadas para o cultivo, altos custos iniciais, capacitação de equipe para manutenção, eficiência da fitorremediação e gestão de resíduos. Para superá-los, são necessárias parcerias e financiamento, planejamento urbano integrado e sensibilização comunitária.
CEMADEN Educação
Outro programa que se destaca é o Cemaden Educação, promovido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Ativo desde 2014, o programa atua junto a escolas e instituições e tem como objetivo contribuir para a geração de cultura de percepção e prevenção de riscos de desastres naturais no país.
De acordo com a organização do programa, em 10 anos, foram realizadas mais de 300 palestras, 200 oficinas e 30 Webnários com mais de 10 mil pessoas formadas.
Segundo o projeto, cada escola participante pode se tornar um CEMADEN Microlocal, espaço para realizar pesquisas, monitorar o tempo e o clima, compartilhar conhecimentos e entender e emitir alertas de desastres. Além de fazer a gestão participativa de intervenções com suas comunidades.
Dentro do programa, as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) são utilizadas em três eixos complementares:
• Aprendizagem com Ciência cidadã e Participativa: site interativo, cursos EaD, oficinas, jogos “sérios”, uso de aplicativo para celular e gamificação;
• Mobilização pela Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir, que acontece anualmente, desde 2016, com o objetivo central de mobilizar para a difusão de conhecimentos e práticas da ciência em RRD.
• Intervenções transformadoras pela Com-VidAção – Comissão de Prevenção de Desastres e Proteção da Vida – um espaço dialógico para a formação de um núcleo envolvendo escola, comunidade, Defesa Civil entre outros atores para a gestão participativa na prevenção de riscos locais e adaptação às mudanças climáticas.