Tecnologia

Relatório do Fórum Econômico Mundial contrasta habilidades valorizadas e tarefas em retração até 2030

O relatório Core Skills in 2030, do Fórum Econômico Mundial, reúne as habilidades que devem ganhar importância no mercado de trabalho e aquelas que tendem a perder espaço com o avanço da automação.
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A transformação do mercado de trabalho deve alterar não apenas as ferramentas usadas pelas empresas, mas também o conjunto de capacidades valorizadas na contratação e no desenvolvimento profissional. É o que indica o relatório Core Skills in 2030, do Fórum Econômico Mundial, citado em um levantamento sobre as competências esperadas nos próximos anos.

Com base na expectativa de empregadores ao redor do mundo, o material distribui as habilidades em quatro grupos: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco. A classificação procura mostrar quais competências devem ganhar espaço na economia digital e quais tendem a deixar de ser prioridade.

O cenário descrito combina o avanço da inteligência artificial, a automação de processos, a digitalização dos negócios e mudanças nas exigências do setor produtivo. Nesse contexto, o domínio tecnológico aparece associado a capacidades humanas como pensamento analítico, criatividade, liderança, resiliência e autoconsciência.

Competências que devem permanecer no centro

Entre as habilidades apresentadas como essenciais para 2030 estão a inteligência artificial e o Big Data. A digitalização dos processos amplia o uso de dados para análise e tomada de decisão, o que tende a tornar mais frequente a necessidade de profissionais capazes de compreender e utilizar essas ferramentas.

A relevância dessas competências não fica restrita aos especialistas em tecnologia. A alfabetização tecnológica também aparece entre os conhecimentos considerados fundamentais. A expectativa é que profissionais de diferentes áreas precisem entender o funcionamento de ferramentas digitais, softwares de automação e sistemas de análise de dados incorporados à rotina de trabalho.

O pensamento analítico e a criatividade formam outro eixo destacado pelo levantamento. A interpretação de informações, a resolução de problemas complexos e a criação de soluções para produtos, serviços e processos são apresentadas como capacidades que devem continuar valorizadas em um ambiente cada vez mais automatizado.

Nesse modelo, a tecnologia não elimina a necessidade de julgamento e elaboração humana. A criatividade é apontada como um diferencial para lidar com situações que exigem inovação e para encontrar alternativas além das tarefas que podem ser padronizadas ou executadas por sistemas automatizados.

Adaptação passa a fazer parte do perfil profissional

Resiliência, flexibilidade e agilidade também aparecem entre as habilidades que devem ganhar importância. A mudança constante nas demandas do mercado exige profissionais capazes de responder a novos desafios e reorganizar sua atuação conforme as circunstâncias.

O levantamento associa essa necessidade ao chamado mindset ágil, apresentado como um dos pilares das organizações. A capacidade de adaptação, nesse caso, está relacionada tanto à resposta a mudanças quanto à disposição para aprender e rever formas de trabalhar.

A liderança e a influência social completam esse conjunto de competências essenciais. Com equipes mais diversificadas e distribuídas globalmente, as empresas devem procurar pessoas capazes de orientar, motivar e conduzir grupos em ambientes remotos e multiculturais.

A importância da liderança, conforme o material, não se limita à ocupação de cargos formais de gestão. Ela envolve a capacidade de influenciar equipes, coordenar esforços e manter a colaboração em estruturas de trabalho que podem reunir pessoas em diferentes locais e contextos.

Inteligência emocional e autoconsciência

Motivação e autoconsciência também são citadas entre as habilidades que devem permanecer relevantes até 2030. O relatório relaciona essas competências à inteligência emocional e à capacidade de administrar as próprias emoções.

Profissionais que conseguem manter a motivação e lidar com as demandas emocionais do trabalho tendem, segundo o material, a apresentar melhor desempenho e produtividade. A dimensão comportamental aparece, assim, ao lado das competências digitais e analíticas no perfil esperado para a economia em transformação.

A combinação indica que a preparação profissional não depende apenas do aprendizado de novas ferramentas. O desenvolvimento de habilidades relacionadas à comunicação, à liderança, à adaptação e à gestão pessoal também é apresentado como parte da resposta às mudanças do mercado.

Habilidades emergentes ampliam o mapa de competências

Além das habilidades consideradas essenciais, o relatório destaca competências emergentes, que crescem em importância e podem se tornar diferenciais para profissionais em busca de novas oportunidades.

A cibersegurança e as redes estão entre elas. À medida que os negócios se tornam mais digitais, a segurança da informação passa a ocupar posição central nas operações. A expectativa apresentada é de crescimento da demanda por especialistas capazes de atuar na proteção de sistemas, dados e conexões.

A gestão ambiental e a sustentabilidade também entram nesse grupo. O material relaciona a tendência ao aumento da atenção das empresas às práticas sustentáveis, o que pode ampliar a relevância desse conhecimento em diferentes setores da economia.

Outra frente envolve design e experiência do usuário. No ambiente digital, a forma como o consumidor interage com uma marca, produto ou serviço pode influenciar sua percepção. Por isso, o design centrado no usuário é apontado como uma área com potencial de valorização.

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam a lista de habilidades emergentes. Em um cenário de mudanças frequentes, a disposição para aprender ao longo da vida é apresentada como uma característica importante para acompanhar a evolução das ferramentas, dos processos e das demandas profissionais.

O que tende a perder espaço

O levantamento também identifica competências que, embora continuem tendo utilidade, tendem a deixar de ser o foco principal do desenvolvimento profissional nos próximos anos.

Leitura, escrita e matemática básica aparecem nessa categoria. O material ressalta que essas habilidades permanecem fundamentais, mas afirma que elas devem deixar de funcionar como diferenciais competitivos à medida que ferramentas automatizadas assumirem parte dessas tarefas.

A destreza manual e a precisão também são apontadas como competências sujeitas à perda de relevância, especialmente em atividades da manufatura e da indústria. A justificativa apresentada é o avanço da automação em tarefas que exigem movimentos físicos detalhados e repetitivos.

A atenção aos detalhes e a precisão integram ainda o grupo de habilidades que podem perder centralidade. Apesar de continuarem relevantes em determinadas áreas, muitas tarefas que dependem desse tipo de execução já são realizadas por sistemas automatizados e soluções baseadas em inteligência artificial.

A classificação não significa que essas capacidades deixem de ser necessárias em todas as ocupações. A indicação é de uma mudança na prioridade do desenvolvimento profissional, com maior peso para competências que envolvem interpretação, inovação, adaptação e interação humana.

Aprendizado contínuo como resposta às mudanças

O conjunto de tendências descrito no relatório aponta para um mercado de trabalho que exigirá atualização constante. A formação profissional passa a combinar conhecimentos técnicos, domínio de ferramentas digitais e habilidades comportamentais.

O pensamento analítico, a criatividade, a liderança e a alfabetização tecnológica aparecem como áreas de desenvolvimento para quem busca acompanhar a transformação do trabalho. Ao mesmo tempo, a resiliência, a flexibilidade e a inteligência emocional são apresentadas como recursos para lidar com mudanças e desafios.

Para as empresas, o material destaca a importância de estimular a capacitação dos funcionários. A formação das equipes é colocada como uma forma de preparar as organizações para as exigências da economia digital e para a adoção de novas tecnologias.

O cenário projetado para 2030, portanto, não se resume à substituição de tarefas por sistemas automatizados. A mudança envolve a reorganização do valor atribuído às habilidades profissionais. Competências técnicas continuam presentes, mas passam a ser combinadas com capacidade de análise, criatividade, liderança, aprendizagem e adaptação.

Na síntese apresentada pelo estudo, profissionais e empresas terão de acompanhar a velocidade das transformações por meio do desenvolvimento contínuo. A preparação para o futuro do trabalho depende, nesse sentido, da capacidade de incorporar novos conhecimentos e de aplicar essas habilidades em diferentes contextos.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário e estudou Liderança da Inovação no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Atuou à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP.

Paiva liderou o planejamento de projetos complexos, como o Ronda no Bairro e a Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas. Também coordenou inovações técnicas e administrativas.

Como coordenador-geral de Modernização da Suframa, participou da gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável. Sua experiência inclui gestão de projetos, transparência financeira, coordenação de equipes e inovação.

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