A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou, nesta sexta-feira (4), em Campinas (SP), da cerimônia de comemoração aos 40 anos do MCTI e do Departamento de Política Científica e Tecnológica (DPCT) do Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Durante discurso, a chefe da pasta homenageou o primeiro secretário-executivo da pasta, Luciano Coutinho, presente no evento. “Luciano Coutinho construiu uma trajetória que reúne uma sólida contribuição acadêmica e uma atuação prática coerente e competente, como poucos. É alguém que sempre faz diferença por onde passa. É uma alegria que ele integre, hoje, o grupo de trabalho sobre os 40 anos do MCTI”, disse a ministra ao entregar uma placa em reconhecimento ao seu papel no desenvolvimento da ciência e tecnologia no Brasil.
Doutor em Economia pela Universidade de Cornell (EUA) e professor da Unicamp, Luciano Coutinho foi o primeiro secretário-executivo do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), entre 1985 e 1988, e foi também presidente do BNDES, de 2007 a 2016.
Após a cerimônia, o MCTI entrevistou o ex-secretário-executivo. Confira a conversa:
MCTI: Sendo o primeiro secretário-executivo do ministério, como você descreve aquela época?
Luciano Coutinho: Foi uma época efervescente. Em meio ao primeiro governo da Nova República, logo depois do período autoritário, nós reivindicávamos a criação de um ministério da Ciência e Tecnologia. O então presidente eleito, Tancredo Neves, concordou com a criação, mas, entre as eleições e a posse, ele adoeceu e faleceu. O vice, José Sarney, honrou o compromisso e, em 15 de março de 1985, o ministério foi criado.
Antes de ele falecer, eu já tinha sido escolhido, por Tancredo, junto com o primeiro ministro de Ciência e Tecnologia, Renato Archer, já que eu era muito próximo dele e do deputado federal Ulysses Guimarães. Eu e o Archer precisamos apresentar um projeto estruturante com toda a estrutura e os primeiros nomeados. Todo esse processo foi uma grande luta. Estruturar, dar vida, articular e organizar todo esse novo sistema.
Naquela época, o CNPq já tinha sua predominância, tinha seus próprios institutos, mas o sistema, como um todo, não tinha uma coordenação. Então, o ministério foi um grande ganho institucional para a política brasileira de ciência e tecnologia.
- Foto: Rodrigo Cabral (ASCOM/MCTI)
MCTI: Resumindo, qual a importância do ministério para as políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação?
LC: Acredito que, principalmente, assegurar que a política tenha voz e que se comunique em pé de igualdade com todos os outros ministérios. Mesmo que a ciência, a tecnologia e a inovação estejam em vários lugares e que muitos ministérios as tenham em seus ecossistemas, é fundamental a existência de um ministério e um ministro de Estado de Ciência e Tecnologia que possa articular e interagir com os outros, não só nacionalmente, como internacionalmente. Eu considero que o investimento em ciência e tecnologia é essencial para o desenvolvimento, especialmente de um país como o Brasil.
MCTI: Nesses 40 anos, tivemos o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), que ajuda a financiar e colocar em prática as políticas de ciência e tecnologia. Sendo assim, qual a importância do FNDCT?
LC: O FNDCT é fundamental. Ele foi criado até antes do ministério, em 1969, e ele foi o fundo “mãe” de todas as atividades financiais da ciência, desde pesquisas básicas até pesquisas de alta tecnologia. Quando o ministério foi criado, uma das nossas primeiras preocupações foi o fortalecimento e asseguramento da execução orçamentária do FNDCT. Então, para mim, o fundo é uma missão e um patrimônio do país.