A construção da estratégia nacional de longo prazo do país, com horizonte para 2050 (Estratégia Brasil 2050), vai considerar estudos de impactos econômicos da mudança do clima para enfatizar a relevância das medidas de mitigação e de adaptação. O assunto foi o tema de oficina sobre o estudo temático estratégico realizada nesta quinta-feira (13), em Brasília (DF).
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima e do projeto técnico de cooperação internacional Ciência&Clima, está apoiando a iniciativa liderada pela Secretaria Nacional de Planejamento do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). O trabalho também conta com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas, considera estratégico o apoio da pasta ministerial à elaboração da estratégia de longo prazo para que o clima esteja no centro do planejamento de longo prazo. “A perspectiva é que tenhamos as questões climáticas verdadeiramente transversalizadas na política do governo federal. A nossa expectativa é todo esse esforço possar ser considerado na tomada de decisão das políticas públicas e possamos vislumbrar um futuro melhor para o nosso país”, explicou Rojas.
O estudo estratégico sobre impactos econômicos da mudança do clima quantificará indicadores que permitirão destacar o papel de medidas mitigadoras de emissões de gases de efeito estufa, considerando sinergias de metas de diversos planos governamentais de médio e longo prazos.
“Estamos gerando evidências para mobilizar esforços e investimentos para ações que de fato resultem em mitigação e adaptação à mudança do clima. A oficina traz evidências sobre a necessidade de agir e de mudarmos a nossa forma de investir, de fazer infraestrutura para que no futuro tenhamos condições plenas de termos economias fortes, sustentáveis e qualidade de vida”, afirmou a secretária nacional de planejamento do MPO, Virgínia de Paula.
Uma das premissas adotadas é uso de cenários climáticos por níveis de aquecimento, os mesmos utilizados na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil. São considerados para o horizonte de 2100 um planeta 1,5°C, 2°C e até 4°C mais quente, comparado aos níveis pré-industriais. A partir disso, serão estimados os impactos econômicos em nível nacional, regional e das unidades federativas do Brasil sobre indicadores-chave, como PIB, nível de emprego, nivel de atividade setorial, produtividade total dos fatores de produção, preços dos alimentos, custos de acesso à água. Também serão observados os impactos em eixos estratégicos de infraestrutura e transição demográfica associada à mudança do clima. Para obter os resultados, serão utilizados modelos econômicos de Equilíbrio Geral Computável.
Antes de apresentar o escopo, o coordenador do estudo, Régis Rathmann, destacou a importância de comunicar de modo claro e objetivo os efeitos da mudança do clima em todas as áreas. “Se não agirmos de forma mais incisiva, podemos chegar em uma situação em que a existência humana não possa suportar”, afirmou Régis Rathmann. Segundo ele, a notícias positivas é que já existem tecnologias de baixo carbono que, se implementadas em larga escala, podem acelerar as ações climáticas. Ele também enfatiza que a implementação das ações e tecnologias tem o potencial de afetar positivamente aspectos econômicos, como a produtividade e a competitividade.
Os estudos devem ser finalizados no primeiro semestre, quando também deve ser finalizada a Estratégia Brasil 2050. Os resultados do estudo serão disponibilizados na plataforma AdaptaBrasil.
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